Club Penguin e os desafios de criar jogos para crianças

No mês passado tive a oportunidade de assistir uma palestra do JC Rodrigues, Head da Disney Interactive Worlds Latin America, no Intercon 2012 e nossa, é impressionante como muitas vezes subestimamos o desenvolvimento de jogos on-line para crianças, sem imaginar o desafio gigantesco e toda a preocupação necessária para que tudo aconteça.

Para exemplificar, ele utilizou um case da Disney (claro), o Club Penguin.
O Club Penguin é (segundo a Disney) um mundo virtual coberto de neve onde as crianças brincam com joguinhos e interagem com os amigos. Na ilha, todos assumem a forma de avatares-pinguins coloridos. E é bem isso mesmo, o Club Penguin é considerado um MMORPG (Massively Multiplayer Online Role-Playing Game) que assim como o Habbo, transforma toda a interação em algo parecido com um game, estimulando o acesso diário.

Talvez você fique pensando “Nossa! Mas e se a criança compartilhar alguma informação pessoal nessa rede. Não é perigoso?”. Sim, é claro que todos temos essa preocupação e por esse motivo o site só permite que os usuários interajam com frases pré-definidas pelo próprio sistema. Caso a criança se cadastre no site utilizando um e-mail dos pais, o site disponibiliza também um gerenciador de atividades onde é permitido acessar os históricos da conta da criança, incluindo pagamentos e banimentos. Além de poder estabelecer o período do dia e a duração das visitas ao Club Penguin da conta do filho. O que é diferente do Habbo, que permite que o usuário escreva as suas mensagens e divulgue-as. Porém, no Habbo existem filtros que censuram o compartilhamento de informações pessoais (endereço, nome completo, e-mail e etc) e conteúdos inadequados para o público.

Ambos os sites funcionam em um sistema “freemium”, onde o acesso é gratuito para todos mas há um conteúdo exclusivo para assinantes. Dessa forma, todas as crianças podem participar dessa comunidade e convidar os seus amigos independente de pagar ou não o game.
Porém, a grande sacada da Disney não foi só criar uma rede de nicho, mas sim criar um storytelling para que a história do Club Penguin fosse contada por diversas mídias diferentes que se completam.

A história começa quando um uso polár chamado Herbert, chega a ilha fluturando em um iceberg do círculo Polár Ártico em busca de um lugar mais quente para viver. Porém, ao chegar no Club Penguin, ele nota que lá é ainda mais frio do que onde ele morava e desde então ele tentar usar seus planos para esquentar a ilha.

Para tornar a história mais interessante o Club Penguin, criou algumas missões que devem ser conquistadas dentro do site. Conforme você cumpre essas missões, mais itens são liberados no jogo e novas histórias são contadas.

Para ajudar a contar essa história, o Club Penguin utiliza alguns vídeos que são disponibilizados no YouTube constantemente. Esses episódios são utilizados também para testar alguns conteúdos e gerar buzz na internet. Um exemplo, dado pelo próprio JC, foi quando o Club Penguin criou os “puffles” que são os famosos mascotes dos pinguins.

A primeira vez que um “puffle” apareceu no Club Penguin foi através de um episódio no YouTube e a sua aparição foi inédita que diversas pessoas comentaram e compartilharam o vídeo nas mídias sociais que a equipe de monitoramento (60% das pessoas que trabalham com o JC) da Disney, identificou isso e habilitou a opção de adotar um puffle para os assinantes do jogo.

Outra oportunidade identificada pela Disney através dos monitoramentos foi a criação de uma missão especial do Club Penguin com os super heróis da Marvel.

Acho que já deu para perceber que as possibilidades são infinitas, basta conhecer o seu público. Mas, e você imaginava que por trás de um jogo on-line havia tudo isso? 🙂

One Response to "Club Penguin e os desafios de criar jogos para crianças"

  1. Geraldo
    Geraldo 11 meses ago .Responder

    Bom artigo.

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